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Quando a escola aprende a falar a língua de todos: Pojuca fortalece educação bilíngue para estudantes surdos

Em Pojuca, Libras passa a fazer parte da rotina escolar, aproximando estudantes surdos e ouvintes e fortalecendo uma inclusão que acontece na prática

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Terça, 18 de agosto de 2026.
Prefeitura Municipal


Uma escola verdadeiramente inclusiva não é apenas aquela que abre as portas para todos. É aquela em que cada estudante consegue se comunicar, aprender, fazer amigos, participar das atividades e se sentir parte daquele espaço.

É com esse olhar que Pojuca vem fortalecendo a educação bilíngue para estudantes surdos na Rede Municipal de Ensino. A proposta utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de instrução e busca fazer com que a comunicação deixe de ser uma barreira para se tornar uma ponte entre estudantes surdos, ouvintes e profissionais da educação.

Na prática, o estudante surdo passa a contar com um ambiente em que professores e colegas também aprendem Libras e descobrem novas formas de conversar, compartilhar experiências e construir conhecimento.

UMA INQUIETAÇÃO QUE VIROU PROJETO

A proposta nasceu de uma inquietação que acompanhou a trajetória da secretária municipal de Educação, Isabel Cristina, ainda como professora. Ao vivenciar de perto as dificuldades de interação de uma estudante surda, ela percebeu que garantir o atendimento especializado não era suficiente para assegurar uma inclusão efetiva. Em 2023, ao assumir a Secretaria de Educação, levou essa experiência ao Núcleo de Educação Inclusiva (NEI) e mobilizou a equipe para construir uma proposta que ultrapassasse o cumprimento da legislação e promovesse uma participação mais efetiva dos estudantes surdos no cotidiano escolar.

As discussões deram origem à proposta de educação bilíngue, implementada em 2024 nas turmas que tinham estudantes surdos. A iniciativa passou a estimular também os alunos ouvintes a aprender Libras, criando novas possibilidades de comunicação e convivência. Segundo Isabel, ver os próprios estudantes buscando aprender a língua para conversar com os colegas surdos demonstra que a inclusão começa a acontecer de forma natural e pode contribuir para uma mudança que vai além dos muros da escola.

UMA REDE PREPARADA PARA ACOLHER

Para que essa transformação aconteça, Pojuca conta com uma estrutura de profissionais voltada à educação inclusiva. O NEI possui uma supervisora pedagógica e três coordenadoras, além de 73 profissionais de apoio, 22 professores especializados, sete professores com formação em Libras, uma professora colaborativa e uma professora itinerante.

A rede também dispõe de transporte acessível, com seis motoristas e sete monitoras de carros acessíveis, garantindo suporte aos estudantes que necessitam desse atendimento.

UMA EXPERIÊNCIA QUE ULTRAPASSOU OS MUROS DE POJUCA

O trabalho desenvolvido no município também ganhou reconhecimento fora da cidade. A Secretaria Municipal de Educação inscreveu a experiência da sala de aula bilíngue para surdos em um edital do Ministério da Educação (MEC) voltado para experiências inspiradoras de educação em tempo integral.
Pojuca foi selecionada em duas modalidades: apresentação em painel e material impresso. A experiência foi compartilhada em Vera Cruz, na Bahia, durante a programação da Rede de Trocas, iniciativa nacional que reúne municípios para compartilhar práticas e experiências na educação.

Pojuca participou do intercâmbio ao lado de municípios como São Miguel do Tapuio, no Piauí, e Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão.

Para Isabel, apresentar a experiência representa a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido no município e, ao mesmo tempo, aprender com outras realidades.

INCLUSÃO QUE VAI ALÉM DA SALA DE AULA

A proposta também chega à comunidade por meio do curso noturno de Libras, que amplia o acesso da população ao aprendizado da língua e conta com a participação de estudantes e professores surdos.

Atualmente, a educação em tempo integral está presente na Escola Municipal Francisco Magalhães Neto, nos anos finais; na Escola Municipal João Paulo II, nos anos iniciais e finais; e no Núcleo Educacional Pedro Leal Cardoso, na área rural. Juntas, as unidades atendem 522 estudantes.

A educação inclusiva também conta com outras iniciativas da rede, como o Ciranda das Vivências, na Educação Infantil, e o Atendimento Itinerante, que possibilita o acompanhamento de estudantes em casa quando necessário.

Quando uma criança aprende Libras para conversar com um colega, quando um professor encontra novas formas de ensinar e quando a escola passa a reconhecer a diversidade como parte do processo educativo, a inclusão deixa de ser apenas um princípio e passa a fazer parte da rotina.

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